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Descomplica & Brilha. Doses de Alegria para o Teu Dia

Descomplica & Brilha – o teu blog de doses alegres para dias com mais cor e menos preocupação. Aqui, a inspiração vem com um sorriso e a vida ganha novos brilhos! ✨

30
Jun25

O Ciclo da Vida

LucyHare

 

Este vídeo é uma inspiração

A vida é feita de voltas. Somos como estações. Chegamos sem aviso, frágeis e dependentes, como sementes lançadas ao vento. O bebé, puro instinto, agarra-se ao calor do colo como quem se agarra à própria existência. Não sabe ainda que veio para ficar — mas também para partir.  

Depois, a criança descobre o mundo. Os pés descalços na terra, os joelhos esfacelados, as perguntas sem fim. Brincar é a primeira forma de sagrado, é o momento em que o tempo não pesa e a felicidade cabe numa poça de água. A escola ensina-lhe que há regras, mas também lhe abre janelas. Ela ainda não sabe que está a aprender a ser livre e, ao mesmo tempo, a perder um pouco da liberdade.. 

O jovem arde. Tem pressa de viver, de amar, de errar. As dúvidas são muitas, as certezas poucas, e o coração bate forte entre medos e ousadias. A vida parece infinita, mas já começou a escorrer-lhe entre os dedos. Ele não sente, está demasiado ocupado a sentir tudo...

O adulto constrói. Trabalha, cansa-se, ama, desama, cria raízes ou desfaz-as. Talvez tenha filhos e descubra, num instante, que o amor pode doer de tão grande. Os dias repetem-se, mas nunca são iguais. Há contas para pagar, sonhos adiados, alegrias miúdas que sustentam o peso do mundo. Ele já sabe que o tempo voa, mas ainda acredita que pode alcançá-lo... 

O idoso senta-se à sombra. Os netos correm à sua volta, e ele vê neles o seu próprio sangue a prolongar-se no futuro. As rugas contam histórias que ninguém já tem paciência para ouvir. Há uma certa leveza em saber que o essencial está feito. E quando a morte chega, não é um estranho — é apenas o último convidado numa mesa bem posta... 

Morrer não é o contrário de viver. É o contrário de nascer. E no meio, fica tudo o resto: os beijos roubados, os dias chuvosos, o pão quente ao pequeno-almoço, as despedidas à porta, as cartas que nunca se enviaram, os elogios que nunca se fizeram...

Por isso - vive!! Não como quem tem pressa de chegar ao fim, mas como quem sabe que cada passo é a única coisa que verdadeiramente lhe pertence. A vida não é longa nem curta — é apenas o que fazes dela enquanto danças com o tempo.  

E que dança seja bonita 💚

30
Jun25

Operação GPS: 

LucyHare

A PJ no Rastro do Amor

operacao_gps_pj_amor.png

A Denúncia
Alô, PJ? Venha rápido, ó doutor,
O meu coração foi roubado por uma hacker de amor!
Ela levou as coordenadas todas do meu peito,
E agora até o Google Maps me diz 'Acesso Negado' em defeito!"


A Busca (com viatura da PJ a ferrapar no empedrado)
"Alerta geral! Suspeita anda a postar stories com outro,
vestida de influencer do 'Amor Livre' e sorriso fotoelétrico!
Bloqueiem-lhe o GPS e o MBWay também,
É que ninguém foge à PJ da Rua do Ciúme, n.º 74"

Apanhada, detida e colocada em Prisão Preventiva (com direito a coro de fado no EPL) por indícios digitais
1) 3 emojis de coração nas mensagens de 2019;
2) Um check-in suspeito no 'Miradouro dos Beijos';
3) E o pior crime de todos... deixou-lhe um visto no WhatsApp ontem

O Interrogatório
Inspetor:"Declare nome, idade e última localização afetiva."
Ela: "Chamo-me Arrabardina Brenda, 35 anos, perdida e achada no Largo da Saudade
Sem update dele desde que ele me disse 'Isso é amizade'.

Inspetor (a bater com a caneta na mesa):
"E esta mensagem 'I'm lost without you' no seu histórico? Confesse: andou a fazer stalking no Instagram romântico?

Ela (a suar):
"Não, senhor Inspetor juro pelo Windows 98!
Foi só um printscreen ao nosso chat de antigamente..."
!"

Epílogo: A Sentença (ditada pelo Alexa da Sede da PJ)
"A denunciante foi condenada a:
- 30 dias a ouvir 'Fado do Ex' em loop;
- Multa de 50 likes nas fotos dele de férias com outra no Instagram;
- E pena suspensa se confessar:
'Sim, senhor Inspetor eu é que era o backup plan dele!'

Nota Final:
A arguida interpôs recurso para o Tribunal dos Afetos — só não garanto que o juiz não esteja também 'online há 2 dias atrás').

P.S "Qualquer semelhança com algoritmos de Tinder ou crimes passionais
é pura coincidência... ou falta de cobertura na zona sentimental

30
Jun25

O Grande Teatro do Pós-Férias

LucyHare

Quando a Máscara Social Volta a Apertar

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Há quem diga que o regresso ao trabalho após as férias é uma simples transição de horários.

Mentira!! 

É um ato de reintegração civilizacional, uma espécie de "reprogramação forçada".em que trocamos a liberdade de sermos selvagens domesticados pela obrigação de voltar a ser "a pessoa apresentável" que consta no contrato.  

Durante duas semanas serei obrigada a domar o instinto primitivo que me fez dormir até às 10h (sim, porque o.meu instinto civilizacional acorda-me as 7..)

comer "ajabardamente" ao almoço e não responder a mensagens ou responder com um "depois vejo" que, na verdade, significava "nunca ou não me chateis pá!"

Agora, é tempo de vestir a pele da profissional responsável, daquela que sorri nos corredores, finge interesse em atualizações de projetos e diz "que ótimo!" quando alguém sugere uma "reunião rápida" (sabemos todos que não será rápida nem necessária..).  

O mais curioso é que, em pleno século XXI, ainda aceitamos este ritual como normal. Ninguém questiona por que razão, após dias ou semanas a reconectar-nos com a nossa humanidade básica — a ler, a não fazer nada ou, no meu caso a filmar todas as merdas para rir sem motivo —, temos de voltar a um espaço onde, muitas vezes, o único estímulo intelectual é decidir se o café do bar sabe a queimado ou a vingança pessoal.

E, no entanto, lá vamos, de cabeça erguida e alma resignada, porque "é assim que o mundo funciona"(fuck!).

Claro que há truques para sobreviver. Alguns de nós tornamo-nos especialistas em performance social mínima: sorrisos comedidos, acenos genéricos, frases como "incrível, tens de me explicar melhor depois" (o "depois"não existe, quero lá saber pá!). Outros recorrem a pequenos atos de rebeldia discreta — cueca fio-dental com desenho de língua de fora, extravagante debaixo do vestido, um postal de férias escondido no monitor, a recusa solene a participar em team buildings que envolvam jogos de confiança.  

Mas a verdadeira ironia está no facto de que, lá no fundo, todos sabemos que isto é um jogo. Um jogo em que, por uns tempos, aceitamos ser menos nós para que o sistema continue a funcionar sem sobressaltos. Até que, um dia, as férias chegam outra vez, a máscara cai, e lembramo-nos de que, afinal, a melhor versão de nós mesmos não é a que sabe redigir relatórios e organizar pessoas, mas a que sabe estar em silêncio ao sol, sem culpas nem calendários.  

Até lá, resta-me a consolação dos pequenos delitos: o vídeo secreto no telemóvel durante a pausa do café, a soneca disfarçada de "momento de reflexão", e a certeza de que, por muito bem que interpretemos o papel de adulto funcional, algures dentro de nós há um selvagem de chinelos e horários abolidos, a contar os dias até à próxima grande fuga.  

Porque no fim, como dizia alguém (provavelmente num café a meio de uma terça-feira qualquer) "O trabalho é o que nos permite ter férias, mas as férias são o que nos permite suportar o trabalho."

E assim segue a dança — fingir normalidade até à próxima fuga, porque o sistema é uma comédia, mas nós somos melhores atores.

25
Jun25

𝑸𝙪𝒂𝙣𝒅𝙤 𝙖 𝙑𝒐𝙣𝒕𝙖𝒅𝙚 𝙙𝒆 𝑭𝙪𝒈𝙞𝒓 é 𝒐 𝑷𝙧𝒊𝙢𝒆𝙞𝒓𝙤 𝙎𝒊𝙣𝒂𝙡 𝙙𝒆 𝒒𝙪𝒆 𝑷𝙧𝒆𝙘𝒊𝙨𝒂𝙨 𝙙𝒆 𝑭𝙡𝒐𝙧𝒆𝙨𝒄𝙚𝒓

LucyHare

 

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Há dias em que o mundo pesa mais do que os nossos ombros. O telemóvel pisca notificações que não queremos ler, o comboio passa sempre cheio, o café está mais amargo, e as conversas soam a diálogos de um filme que já vimos demasiadas vezes. A minha mente sussurra: "E se fosse tudo diferente? E se eu desaparecesse ali para trás daquela linha do horizonte?"

É um impulso humano, ancestral — a fuga como possibilidade de renascimento. Mas antes de fazeres as malas (ou de as deixares fechadas no armário, cheias de arrependimento), respira. Porque essa vontade de partir raramente é sobre o lugar, o emprego ou as pessoas. É sobre 𝑻𝑰.

Acredita-se que noutro país o sol brilha com mais intensidade, que noutra profissão acordaríamos sempre inspirados, que outras pessoas nos fariam sentir menos sós ou menos “pequeninas”. A verdade? Levas-te contigo. As tuas feridas, os teus padrões, os teus medos — viajam na bagagem de mão. Não há geografia que cure uma alma que não se confronta. Lembro-me da Inês, enfermeira, que trocou Lisboa por Sheffield aos 30 anos. "Nos primeiros meses, tudo era novidade. Depois, percebi que a minha ansiedade tinha passado a fronteira comigo. A mudança só funcionou quando parei de culpar Portugal e comecei a trabalhar em mim."

Antes de decidires partir, escuta os sinais. A fadiga constante, o tédio, a irritação — são sintomas de que algo em ti precisa de mudar, não necessariamente o teu código postal. Experimenta um teste de 30 dias: muda pequenos rituais, toma café noutro lugar, faz um curso online só por curiosidade e que nada tenha a ver com a tua profissão, afasta-te por uma semana das pessoas que te sugam... Muitas vezes, a vida saborosa está escondida nos detalhes que ignoramos à espera de um terramoto.

Há quem precise mesmo de partir — e isso é válido. Mas há quem precise apenas de se reencontrar no mesmo sítio, de se olhar com outros olhos. Se sonhas com a Noruega, vai ao Gerês em janeiro e caminha sob neve (sim, acontece). Se queres ser chef, organiza um jantar clandestino na tua sala para seis amigos. Se desejas pessoas novas, frequenta um clube de leitura ou um voluntariado. Os laços nascem onde há gestos repetidos, não onde há passagens aéreas em promoção.

A maior aventura não é saltar de paraquedas em Bali. É enfrentar a conversa difícil com o chefe, dizer "não" ao que te esgota, ou admitir que talvez — só talvez — estejas a precisar de ajuda profissional. Guarda estas frases: "Não tenho de incendiar a vida para sentir o calor." "O meu valor não se mede pela latitude onde estou." "Recomeçar é também aprender a ficar."

Se depois de tudo ainda sentires que deves ir, vai. Mas leva na mala esta certeza: nenhum lugar te fará inteiro se não levares a inteireza contigo. E se escolheres ficar, que não seja por medo, mas porque descobriste que a liberdade também se cultiva no vaso que já tens.

O mundo é grande, mas o teu coração é maior. Onde quer que estejas, que seja por amor — nunca por fuga.

(P.S.📝 — A vida é tua. Este texto é só um lembrete: não importa para onde vais, mas quem te tornas no caminho.)

24
Jun25

Amantes da Sabedoria

LucyHare

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A sabedoria não se anuncia. Não ergue cartazes nem exige palco. Mora nos gestos calmos, nas palavras medidas, no silêncio que escuta mais do que fala. Nasce da vida vivida, mas não é só experiência—é a arte de aprender com ela, sem amargura, sem pressa.

Há quem confunda sabedoria com acumular conhecimentos, encher estantes de livros que nunca se deixaram ler pela alma. Mas ela é mais terra do que papel: pratica-se. Revela-se no modo como se segura uma chávena de chá, como se aceita uma contradição, como se perdoa um erro antigo sem fazer cerimónia.

A sua origem é tão antiga como a primeira pergunta que o homem fez ao céu. Veio dos filósofos gregos, sim, mas também das avós que aconselham na cozinha, dos marinheiros que leem o vento, dos artesãos que conhecem o peso exacto da paciência. Não tem dono nem escola—anda solta pelo mundo, às vezes disfarçada de simplicidade.

O sábio verdadeiro não se diz sábio. Sabe que o muito saber pode ser vaidade, e que a verdadeira inteligência é reconhecer os limites do próprio entendimento. Por isso fala com cuidado, age sem alarde, e ouve—sempre ouve—como quem sabe que até uma folha seca a cair tem algo para ensinar.

É realista sem cinismo, livre sem irresponsabilidade. Compreende que a vida é feita de nuances, e que o preto-e-branco é preguiça da alma. Respeita os outros não por educação, mas por ver neles a mesma luz e as mesmas sombras que carrega dentro de si.

No fim, talvez a sabedoria seja apenas isto: a coragem de viver com os olhos abertos, sem medo da dúvida, sem necessidade de certezas absolutas. E, sobretudo, a vontade de partilhar o caminho—não como quem ensina, mas como quem também aprende, a cada passo.

21
Jun25

Permite-te ser Criativo.  A Criatividade é sobre Expressão, não Perfeição

LucyHare

 

Há uma voz que todos conhecemos. Aquela que surge quando pegamos num lápis para desenhar, quando olhamos para uma página em branco ou quando imaginamos uma ideia diferente. E a voz diz "Isto não vai dar em nada", "Outros fariam melhor." e, pior ainda "Quem é que vai querer ver isto?"

A criatividade não é um clube exclusivo. É um gesto humano, tão natural como rir ou chorar. O problema é que crescemos a acreditar que criar é só para génios, para os iluminados, para aqueles que nasceram com um dom. Esquecemo-nos de que, em crianças, todos desenhávamos sem medo, cantávamos sem vergonha e inventávamos histórias sem filtros. Em algum momento, alguém nos disse que aquilo não era "sério" ou "útil", e começámos a guardar a nossa imaginação num lugar cada vez mais distante.

Mas e se estivermos errados? E se a criatividade não for sobre talento, mas sobre coragem? Sobre a vontade de tentar, mesmo quando não sabemos como vai sair.

Sabes, não precisas de ser Picasso para pintar, nem Pessoa para escrever. Precisas apenas de te permitires falhar, de aceitares que as primeiras tentativas vão ser imperfeitas — e que isso não só é normal, como é parte do processo.
E, há beleza nisto. No acto de criar pelo simples prazer de criar, sem a pressão de sermos os melhores. Uma canção que nunca sai perfeita, mas que nos faz sentir algo. Um diário que ninguém vai ler, mas que nos ajuda a entender quem somos. Até uma receita inventada ao acaso, que transforma o jantar numa pequena aventura.

Talvez o verdadeiro obstáculo não seja a falta de habilidade, mas o medo de parecermos ridículos. Medo de que alguém diga "Isso não é grande coisa." Mas e se dissermos o contrário? E se encararmos a criatividade como um acto de resistência — contra a rotina, contra a autocensura, contra a ideia de que só vale a pena fazer o que é impecável?

Devemos permitimos-nos criar, mesmo que seja apenas para nós, recuperamos um pedaço de nós que andava perdido. Não se trata de virarmos artistas profissionais, bem pelo contrário, trata-se de lembrarmos que somos humanos, e que os humanos precisam de inventar, explorar e, às vezes, falhar feio até acertarem!

Por isso, da próxima vez que a dúvida te aparecer "Para quê fazer isto?", experimenta responder: "Olha, só porque sim!" Sem justificações. Sem expectativas. Apenas porque há algo libertador em deixar que as ideias, por mais simples que sejam, tomem forma.

No fim, criar não é sobre o resultado. É sobre o gesto - a expressão. E esse gesto expressivo, por mais pequeno que pareça, é sempre um passo em frente.

20
Jun25

O Poder de um Círculo Pequeno: Quando Pouco Significa Tudo

LucyHare

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Há uma beleza subtil em ter um círculo pequeno. Não é sobre solidão, nem sobre falta de opção — é sobre escolha. Sobre saber que, no meio de um mundo barulhento e cheio de gente, há apenas um punhado de almas que realmente me entendem, que me seguram quando caio e que celebram comigo os dias bons, sem invejas, sem segundas intenções.  

Essas pessoas não estão comigo por conveniência, mas por algo mais profundo: uma ligação que não se explica, só se sente. São aquelas com quem posso ficar em silêncio sem que o silêncio seja incómodo. Aquelas que conhecem as minhas manias, as minhas fraquezas, os meus medos mais escondidos, e mesmo assim não fogem. Pelo contrário: ficam. E nessa permanência, dão-me um dos maiores presentes que alguém pode receber — a certeza de que não estou sozinha.

Num tempo em que as redes sociais nos vendem a ideia de que quanto mais conexões, melhor, há quem descubra que a verdadeira riqueza não está nos números, mas na profundidade. Um café partilhado com alguém que nos vê a alma vale mais do que cem conversas vazias. Uma mensagem enviada no momento certo pode aquecer mais do que mil likes.  

E é isso que torna um círculo pequeno tão poderoso. Ele não se mede pela quantidade, mas pela intensidade. Pelas risadas que doem de tanto rir, pelos abraços que apertam na medida certa, pelas lágrimas que não precisam de ser escondidas. São essas pessoas que me lembram, nos dias mais cinzentos, que a vida — por mais dura que seja — vale a pena ser vivida, porque não a estou a viver sozinha.

Por isso, se o teu círculo é pequeno, mas nele habitam corações grandes, celebra. Porque há poucas coisas tão raras e preciosas no mundo como encontrar quem nos queira verdadeiramente — não pelo que temos, mas pelo que somos. E quando isso acontece, pouco importa o tamanho da roda. Importa é quem está nela a girar contigo, lado a lado, no ritmo certo da vida.

18
Jun25

Como vender a alma e outros negócios falhados.

LucyHare

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Há quem diga que a alma é eterna. Outros, mais práticos, perguntam logo: "Dá para pagar em prestações?" 

A verdade é que, em Portugal, a alma é como o último pastel de nata do balcão — todos falam dela, mas ninguém sabe ao certo quem a levou. Fica-se com a embalagem vazia e um cheiro a canela que não enche a barriga.  

Dizem os poetas que o amor toca a alma. Tudo muito bonito, até se perceber que "tocar a alma" custa 15€ (mais IVA, se for com fatura), e a sua manutenção mensal inclui renda, conta da luz e um pacote de arroz do Brajma em promoção. O verdadeiro romance português é uma conta poupança-rendimento que não rende nada, um jogo de paciência entre o que se deseja e o que o extrato bancário permite.  

Os turistas procuram a alma em Alfama, entre fados e selfies com vista para o Tejo. Os locais sabem que ela está algures entre o café do Zé, a chávena por lavar, e o Correio da Manhã aberto na página dos horóscopos. "Caranguejo: Hoje, evite gastos emocionais. A Lua está em conflito com a sua carteira." A alma, afinal, é como o Wi-Fi da NOS — promete ligação vitalícia, mas falha quando mais precisas dela.  

E o amor? Esse é como o tempo em Lisboa: ou arde sem piedade, ou desaba em chuva quando menos esperas. A felicidade, essa, resume-se a um café bem tirado, um canto ao sol na esplanada (de preferência sem mosquitos), e um telemóvel sem notificações do banco. Vivemos num país onde os poetas cantam almas, o povo conta trocos, e no fim, todos concordamos que "mais vale uma alma em paz do que uma promoção no El Corte Inglés".  

Claro que, se a promoção for mesmo boa, até a alma pode esperar. Prioridades.  

Mas agora pergunto-vos eu: isto soa a crónica de jornal ou a desabafo de esplanada após o terceiro café? Eis a verdadeira questão. E se fosse um robô a escrevê-la, certamente incluiria um emoji de bacalhau a abraçar uma carteira vazia. Mas como sou humana (ou quase), deixo-vos com isto: a alma é overrated. O que realmente importa é que o pão esteja quente e o vinho, fresco. O resto? Isso é conversa para quem tem a vida resolvida.  

Bom, se alguém quiser acrescentar um capítulo sobre "A Alma e os Descontos do Pingo Doce", estou toda ouvidos. Afinal, crónicas são como almas — nunca estão verdadeiramente acabadas, não é?

17
Jun25

Crónica das Pedras e das Ilusões (ou Como Subir Montanhas sem Perder o Juízo)

LucyHare

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Há quem diga que a vida é uma caminhada leve, um passeio bucólico por entre prados verdejantes, ao som de passarinhos e riachos melodiosos. Essas pessoas, claramente, nunca carregaram uma mochila cheia de pedras enquanto subiam uma montanha só para, ao chegar ao topo, perceber que tinham de voltar a descer para buscar mais pedras.  

Meu querido amigo ou amiga ou amigue?😐😏, se alguma vez te viste nesta situação, sabes do que falo: a vida prega-nos partidas tão absurdas que, se não rirmos, choramos. E, por vezes, choramos mesmo, mas depois rimos, porque no fundo é tudo tão ridículo que só nos resta a gargalhada.

Imagina isto: lá vamos nós, curvados sob o peso das nossas pedras existenciais (algumas herdadas, outras autoimpostas, porque sim, gostamos de complicar). O caminho é íngreme, as pernas tremem, e a meio da subida aparece a Ilusão, trajada com o seu fato de stand-up comedian, a dizer-nos: "Olha, se virares à esquerda, é tudo plano e o sol brilha o dia todo!" E nós, ingénuos, viramos. Só para descobrir que o "plano" era um pântano e o "sol" era, na verdade, um holofote de um reality show cósmico em que somos os protagonistas involuntários.

Mas ainda assim, subimos, caímos, levantamos, e um dia — glorioso dia! — chegamos ao cume. E o que fazemos? Despejamos as pedras, olhamos para a vista (que, convenhamos, podia ser melhor, mas pronto), e depois... voltamos para trás. Porque sim, porque a vida não é um "momento único", é uma assinatura mensal com renovação automática.

E aqui reside a beleza do absurdo: as ilusões são como os influencers da alma — prometem-nos mundos e fundos, empurram-nos para becos sem saída, e ainda assim, lá vamos nós atrás delas, como cães atrás de um osso holográfico. Mas, no fim, são essas mesmas ilusões que nos ensinam o truque mais valioso: rir da própria queda.

Porque viver, caro amigo(a), é isto mesmo — um eterno baloiço entre o "Ai, que maravilha!" e o "Fuck, mas que raio foi isto?!". E se não aprendermos a rir (ou pelo menos a soltar um sarcástico "Claro, porque não?"), então as pedras na mochila tornam-se ainda mais pesadas.

Ok, tens razão, estás a pensar. E??

E, nada pá! continua a subir, continua a cair, continua a carregar pedras. Mas, por favor, de vez em quando, pára para perguntar: "Quem é que me obrigou a trazer estas pedras? E será que não há um teleférico por aqui?"

Porque no fim, a única ilusão verdadeiramente perigosa é achar que temos de fazer a escalada sozinhos e a sério o tempo todo.

Quanto a mim, se me dão licença, tenho uma montanha para subir. E, desta vez, vou ver se levo só meia dúzia de seixos. Uma gaja também tem de aprender (a deixar de ser parva).

16
Jun25

O Maravilhoso Mundo dos Relacionamentos

LucyHare

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Onde Criamos Problemas que Nunca Tivemos Sozinhos

Ai, o amor! Essa coisa linda que nos faz questionar todas as nossas escolhas de vida enquanto sorrimos com os dentes cerrados. Se estás solteira, os teus problemas são simples e diretos: a solidão ocasional, a pressão da tia Albertina no Natal ("Então, namorados zero?") e o dilema existencial de comer nestum mel ao jantar sem ser julgada. Mas mal entras num relacionamento, descobres um universo paralelo de complicações que nem sabias que existiam.  

Antigamente, ir às compras era um ato solitário e pacífico. Agora é uma missão de alto risco. "Traz uma cerveja alemã" parece uma tarefa simples, até perceberes que há dez variedades e o teu parceiro queria aquela específica que só vende no supermercado do Corte Inglês em Lisboa. E se ousares regressar com a marca errada, prepara-te para o olhar de deceção mais dramático desde que o Benfica perdeu o campeonato.

E que tal a magia de decidir o que ver na televisão? Quando eras solteira, o controlo remoto era teu e só teu. Agora, é uma guerra fria onde "vamos ver o que está a dar" se traduz em "vamos passar 45 minutos a discutir até acabarmos a ver o programa que nenhum dos dois quer". O romance verdadeiro está na arte da negociação: "Se eu ver o meu reality show hoje, tu podes ver o teu jogo de futebol amanhã." É como a diplomacia da Guerra Fria, mas com mais pipocas e menos mísseis.  

E não podemos esquecer o clássico "onde vamos jantar?". Quando eras solteira, comias um ovo cozido e dois tomates cherries e chamavas-lhe jantar como uma verdadeiro adulto funcional. Agora, tens de considerar as baratas, o arroz ou esparguete ao almoço e jantar, a carne nas suas diversas apresentações ("não como ervilhas desde sempre") e, claro, o eterno "não sei, tu é que decides" seguido de "isso não, não pode ser outra coisa?". No final, acabam no mesmo sítio de sempre porque já são demasiado velhos para aventuras gastronómicas.  

Mas pronto, no meio desta loucura toda, há alguém que te rouba a pinça para tirar o pêlo encravado da barba, que deixa a loiça por lavar "para amanhã" e que, inexplicavelmente, ainda não percebeu que o lavatório pode ficar imaculado depois de fazer a barba. E no fim do dia, quando estás prestes a estrangular essa pessoa por mais uma das suas excentricidades irritantes, lembras-te de que, sem ela, a vida seria... bem, aborrecida. Porque no fundo, os problemas de um relacionamento são como uma assinatura de ginásio: pagas para sofrer, mas no final até fazem-te bem. E se um dia te cansares, podes sempre voltar a ser solteira e ter problemas completamente diferentes — mas isso, amigas, é outra história.

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